terça-feira, 25 de agosto de 2009


Diz a história bíblica, que na antiga Judéia, as primas Isabel e Maria, mãe de Jesus, estavam grávidas. Como moravam distantes, elas combinaram, que a primeira a ganhar bebê anunciaria a novidade acendendo uma fogueira em frente à própria casa. Santa Isabel cumpriu a promessa quando do nascimento de seu filho, João Batista.

É considerado o último dos profetas, e o primeiro apóstolo. Os evangelhos dizem que, ainda no ventre de sua mãe, João percebe a presença do Messias, "estremecendo de alegria" na presença de Maria, quando esta ia visitar a prima Isabel. O evangelho de São Mateus fala das pregações e dos batismos que realizava às margens do rio Jordão, não distante de Jericó. Foi João Batista quem batizou o próprio Cristo.

Crítico da hipocrisia e da imoralidade, João Batista condenou publicamente o fato do rei ser amante da própria cunhada, Herodíades. Salomé, filha de Herodíades, dançou tão bonito diante de Herodes, que este lhe prometeu o presente que quisesse. A mãe de Salomé aproveitou a oportunidade para se vingar: anunciou que o presente seria a cabeça de João Batista sobre uma badeja. João Batista, juntamente com os profetas Elias e Eliseu, é considerado o protótipo do ideal ascético, e modelo de vida perfeita. Podemos dizer até, que ele, João, seria o próprio Agnus Dei (o Cordeiro de Deus), portador e síntese da tradição judaica mais pura, que ardia entre os Essênios daquela época.

O valor simbólico e filosófico de João Batista, portanto, ultrapassa completamente o dogma católico: João batizava os seus adeptos com água (ou seja, utilizando um símbolo material), mas afirmava, que o que viria depois dele "batizaria com fogo", isto é, o Espírito Santo.

João Batista é o ínico santo, além de Virgem Maria, de quem a liturgia celebra o nascimento para o Céu, celebrando o nascimento segundo a carne. Na comunidade religiosa da igreja católica os missionários de São João batista, ou seja, seus membros (sacerdotes ou leigos) consagram a sua vida a Cristo, através dos votos de castidade, obediência, e pobreza. Numa atitude de acolhimento e de disponibilidade, alicerçados no Cristo da Eucaristia, os missionários de São João Batista devem tornar-se para os homens de hoje sinais do Reino e anunciar os caminhos do senhor, a exemplo do seu padroeiro.

Deste modo, o simbolismo de "Yohanan" (João em hebarico) ganha, com os séculos, uma poderosa força, que é cultivada por várias correntes gnósticas até chegar à idade média, na qual hospitalários e templários, desde a sua origem, invocam João Batista para seu patrono. Assim, São João, o fogo e o solstício de verão, no hemisfério norte, estão indissoluvelmente ligados com uma ação, um trabalho essencialmente transformador, no qual o "Fogo Sagrado" agirá, quer como agente hermético-alquímico, quer como condição necessária para o trabalho, quer como inteligência criadora, criativa e genial, avessa a qualquer Avatar, porque não reconhece poder na Terra superior a Deus.

Anel de ligação entre a antiga e nova aliança (Moisés e Jesus, repectivamente), João foi acima de tudo o enviado de Deus, uma testemunha fiel da luz, aquele que anunciou Cristo e O apresentou ao mundo.

? A tradição da fogueira nasceu antes do Cristo. Queimar fogueiras, naquela época, significava, saudar a chegada do verão, e apenas no século VI, o catolicismo associou as comemorações pagãs ao aniversário de São João Batista. Os portugueses no século XIII incluíram São Pedro, e Santo Antônio, e no Brasil, a data é celebrada desde 1583.

O Orixá Xangô

Xangô é a divindade que rege o fogo, o trovão, os raios, muito semelhante a Javé, Zeus, Odin e Tupã. Pode, através da sua justiça, dispensar favores, movendo favoravelmente ventos, raios, trovões para nos defender e para ganharmos causas. A sua Lei é como a rocha, dura, justa, cega... Portanto, devemos pensar duas vezes antes de batermos a mão, a cabeça e clamarmos por justiça, pois se a nossa demanda for justa ele nos amparará e se não for aos rigores de sua lei seremos chamados e o seu raio de correção virá para cima de nós mesmos. Então quando nos sentirmos injustiçados, devemos pedir que Xangô nos esclareça e se estivermos certos então que ele esclareça a outra parte e se esta não ouvir então não precisamos nem pedir, que a lei de ação e reação é automática e se cumprirá a justiça de Xangô em nossas vidas.

O santuário natural, sagrado, ponto de força e habitat, aonde costuma-se depositar oferendas é no alto de uma pedreira ou na cachoeira. Na pedreira, com Iansã, Xangô nos traz o arrojo, a determinação, a fortaleza, a segurança, a firmeza e a sustentação. Na cachoeira, junto com Oxum, nos purifica, nos energiza, nos dá vida, vigor, saúde e inteligência.

No esoterismo de Umbanda Xangô é o Senhor das Almas, cujo atributo é a sabedoria afim de exercer a Justiça Divina, aferindo em sua balança todas as almas. Através da manipulação do elemento fogo, Xangô, mais do que fazer cumprir a lei kármica para todos os seres viventes, ilumina o caminho a ser seguido, bem como ajuda a libertar dos grilhões milenares dos enganos que escravizam a consciência.



Lá fora, a tarde quente e ensolarada de São Paulo. Pensei na riqueza de tanta luz solar que temos aqui no Brasil.

Repentinamente, percebi alguém à minha frente no quarto. Fechei os olhos para perceber melhor aquela presença espiritual pela tela mental do chacra frontal. Era uma mulher morena belíssima vestida com um longo vestido branco e descalça. Sua presença emanava suaves ondas de amor e majestosidade. Ela estendeu suas mãos e saudou-me sorrindo.

Que mulher maravilhosa!

Em minha mente e em meu peito, ao mesmo tempo, um sussurro feminino dizia: Yemanjá... Yemanjá... Yemanjá...

Pensei: "Caramba! Essa é Yemanjá, a Rainha do mar tão cultuada na Umbanda aqui no Brasil. E que energia fantástica!"

Então, ela aproximou-se, e com o dedo indicador de sua paramão direita (2) tocou em minha testa, um pouco acima do chacra frontal. (3)

No mesmo instante, entrei num estado alterado da consciência. Surgiu uma esfera de luz violeta em minha tela mental. À medida que ela se expandia dentro do chacra frontal, surgiam várias imagens do plano espiritual e o rosto de vários seres espirituais elevados vibrando naquela mesma sintonia.

Um perfume de mulher invadiu o quarto e senti muito carinho envolvendo-me por inteiro. Abri os olhos e ela estava dançando na minha frente. Ela sorriu de forma matreira. Sua dança lembrava as danças ciganas.

Em dado momento, ela começou a mudar a aparência do seu corpo espiritual (psicossoma, corpo astral, perispírito, corpo sutil, corpo de luz) e transformou-se numa cigana. Em seguida, numa mulher hindu. Depois, numa mulher árabe.

E em frações de segundo ela tomava a forma de mulheres de todas as raças.

Até que ela tornou o seu corpo espiritual num corpo de luz, e depois num foco luminoso multicolorido. Enquanto isso, eu olhava tudo aquilo maravilhado pela surpresa de estar vendo algo assim enquanto apenas tomava um cafézinho e escutava um cd de uma banda querida.

Pouco depois, ela voltou a forma de Yemanjá novamente e disse-me mentalmente:

"EU SOU a energia de todas as mulheres.
EU SOU a fragrância que inspira os corações femininos na jornada pela existência.
EU SOU a guardiã dos mistérios da fertilidade e do amor.
EU SOU a protetora espiritual dos que são fiéis aos votos espirituais de fazer o bem e de seguir conscientemente na seara da Espiritualidade.
EU SOU Aquela que dissolve os malefícios com o poder das águas primordiais.
EU SOU aquela que inspira as danças sagradas de todas as mulheres.
EU SOU aquela que acalenta o coração feminino.
EU ESTOU no leite de seus seios e na boca de seus filhos.
EU ESTOU abraçada com seus parceiros.
EU SOU todas as mulheres, seus desejos, seus sentimentos, suas dores e seus sonhos.
EU SOU terna, dinâmica, ativa, passiva, empreendedora, romântica, sábia, trabalhadora, mãe, amiga, esposa, amante... Mulher total e incondicional!
Personifico as mulheres sagradas de todos os templos e povos.
Aqui no Brasil gosto de manifestar-me como Yemanjá, a Mãe das águas. Preste atenção na sonoridade desse nome, pois trata-se de um mantra originado nos povos antigos do Oriente. (4) Yemanjá significa espiritualmente o poder de dissolução das emoções pegajosas. Significa o fluir das águas da felicidade que dissolvem as dores causadas pelas emoções pesadas.
Yemanjá também é dança, alegria e sorrisos. É celebração de vida, é abraço de Mãe, é ternura de mulher, é perfume de bem-aventurança, é inspiração espiritual nos trabalhos de desobsessão e de pulverização das energias pesadas.
Yemanjá, a Rainha do mar, que não gosta de ver as pessoas tristes por causa das emoções daninhas. A Senhora das águas, que orienta a todos para que sejam felizes e celebrem a vida.
Diga a todos que não vale a pena ser infeliz por causa de amores que se vão, pois enquanto permanecer a tristeza, não haverá celebração. E a vida é sagrada! Precisa ser celebrada! E a vida é maior do qualquer um que partir.
Pense no fluir das águas... na dança... no sorriso... na luz de Yemanjá!"

Depois disso, ela tornou-se novamente um foco de luz multicolorida e lentamente foi desaparecendo na minha frente. Tudo isso passou-se em questão de uns cinco minutos aproximadamente.

Corri para o computador para escrever esse relato ainda sob o impacto da experiência com ela. Momento depois, chegou o editor da revista para a entrevista.

PS: Ela foi embora, mas o seu perfume e sua inspiração permaneceram em meu coração. Agora compreendo porque desde ontem fiquei com uma vontade forte de tomar um banho de cachoeira ou de sentar perto de algum lugar com muita água. Não era por causa do calor. Era por causa do poder das águas e de Yemanjá, a senhora dos oceanos de bem-aventurança. (5)

Paz e Luz.

FILHOS DE OXOSSI

A Mulher e o Homem de Oxóssi

Geralmente, a filha desse santo chama a atenção dos homens pelo corpo bonito, com seios, pernas, coxas e quadris fartos. Mas por trás dessa aparência feminina esconde-se uma verdadeira guerreira, disposta a tudo para agarrar o homem de sua vida. É aquela que sustenta qualquer problema de seu companheiro,que está sempre a seu lado e não o deixa cair.

Apesar de ter atitudes firmes, que indicam grande auto-suficiência, ela vive à procura de sua outra metade e entrega-se totalmente quando ama. Por isso, exige do homem a mesma coisa e sofre demais por ciúme. Para ela, o companheiro ideal deve ser forte, inteligente e dominador nos assuntos sexuais. Em troca, ela “esquentará” o mais frio dos mortais.

AFINIDADES

A MULHER DE Oxóssi COMBINA COM HOMENS DE IEMANJÁ, OXALÁ, OGUM, OXUMARÉ, EXU, OXANGUIÃ E OXÓSSI.


O FILHO DE OXÓSSI

tem muito medo de ser rejeitado pela pessoa na qual está interessado e então espreita bem o seu alvo antes de atirar sua flecha. Não é difícil identificá-lo. Tem aparência tímida e, num grupo, é sempre aquele que ouve muito antes de expressar suas opiniões. Age assim também nos assuntos do coração. Cuidadoso, vai demorar a se declarar, mas, quando o fizer, a mulher se surpreenderá porque encontrará nele um homem expansivo, disposto a cercá-la com tudo o que estiver ao alcance de suas posse.

A mulher por quem o filho de Óxóssi se apaixonar nunca passará vergonha, fome ou necessidade. Por ser cuidadoso na escolha da parceira, ele é também hiperciumento. Traí-lo significa perdê-lo. O melhor é cercá-lo de atenções o tempo todo.

AFINIDADES

O HOMEM de OXÓSSI SE DÁ BEM COM MULHERES DE OXALÁ, OIÁ, NANÃ, EWÁ, OXUM, IEMANJÁ E OXUMARÉ.


OXOSSI


O NUME DA CAÇA

OXOSSI dos nagôs é o mesmo Abê ou Agbê dos jejes (fanti-aschanti) e Tauamim, Matalumbô ou Congombira dos bantos. Filho de Iemanjá, irmão de Ogun e de Ossãe. Oxossi é formado pelas palavras “oxo”= caçador; e “ossi”= noturno.

ELEMENTOS E SÍMBOLOS

DIA

Quinta-feira

FESTA

23 de abril, dia de São Jorge, com quem está identificado

CORES

Verde, azul e escarlate; azul-turqueza e azul com dourado.

TALISMÃ

Fio de miçangas azuis-turquesa banhado em água de folha-da-costa. Usar no pescoço, pulso ou cintura. No Candomblé: missangas verdes.

METAL

Cobre, latão e ferro (Brasil). Madeira (África)

PEDRA

Turquesa e topázio.

PERFUMES

Selva, silvestre, Brut, Amazone, Madeira.

COMO USAR

Passar no corpo, um a cada quinta-feira.

FILHOS FAMOSOS

São Sebastião, George Washington, José do Egito, S.Mateus.

SACRIFÍCIOS

Porco,bode, boi, galo e conquém (galinha-d’angola).

OFERENDAS

Axóxo (papa de milho com coco), caças em geral, frutas.
Ipeté, entregues no pé de uma árvore, no mato.

PARTES DO CORPO

Ante-braço, braço, cabelo e pulmão.

PROFISSÃO

Artes, publicidade, jornalismo, advogados, biólogos e veterinários.

TOQUES

Agere (preferido), Ilù, Adahun, Ego.

DOMÍNIOS

Matas, fotosíntese, caça, alimento e sustento.

NATUREZA

Florestas, selvas, árvores, alagados.

SAUDAÇÃO

OKÊ!

O grito pelo qual se anuncia lembra um latido de cachorro.
Na Umbanda, é saudado com: Ode, òkè àró (Salve, oh Caçador)

VELA

Verde (claro ou forte), na mata fechada, às 5ª feiras, às 18 horas

SÍMBOLOS

Suas insígnias são o OFÁ (arco e a flecha de metal, conjugados), e o IRUKERÉ (espanta-mosca – símbolo dos Reis na África e afugentador e dominador de Égúns); e os Oge – Chifres de touro – chamados Olugboohun (o Senhor escuta minha voz), que é um poderoso meio de comunicação entre o Aiyé e Orún.

O IRÚKÉRÉ ou ÉRÚKÉRÉ é uma espécie de cetro feitos com pelos do rabo de touro, presos a um couro duro, constituindo um cabo, e revestido com um couro fino, ornado com contas e cauris (búzios). É um dos principais instrumentos dos caçadores e detém poderes sobrenaturais.

Na África nem um caçador, se aventuraria, a ir à floresta sem seu írúkéré. É preparado com pós e remédios de diversos tipos, assim como folhas e fragmentos triturados dos animais sacrificados. Antes de serem presas, as raízes dos pelos devem durante algum tempo, ficar imersas num pote com uma combinação de elementos que constituem um axé especial, que lhe conferirá suas atribuições necessárias.

Não é apenas mais um emblema, tem o poder de manejar e controlar todo tipo de espíritos da floresta. Os pelos do rabo – parte posterior (poente) – representam os ancestrais, espíritos de animais e de todo tipo de espírito da floresta. O Irukeré só era usado pelos reis africanos, pendurado no saiote.

Oxossi é o único Orixá que entra na mata da morte, joga sobre si um pó sagrado, avermelhado, chamado AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune a morte e aos EGUNS.

OXOSSI é um orixá que revela a importância da caça entre os povos africanos, com reflexos no culto religioso. Sendo um caçador, lembrando que antigamente na África os caçadores eram os responsáveis pelo sustento e manutenção das aldeias, é o Orixá que garante a fartura, sustento, alimentação e prosperidade ao ser-humano. Muitas vezes é chamado de Odé Wawá, ou seja, “Caçador dos Céus”.

Ele é considerado a divindade da fartura, da abundância, da prosperidade. Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da míngua, da falta de provisão. Deus da caça, das úmidas florestas, com o Ofá abate os javalis, as feras, É o invencível caçador.

Rei Oxossi, senhor do Keto, rodeado de animais, usa capanga e um elegante chapeú de couro de abas largas enfeitado de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, além do arco e uma flexa de metal dourado, Ele dança com arco e flecha numa mão e na outra com o Irukérê. Usa saiote de plumas verdes ou multicores; penacho e capacete verdes. Pulseiras e braceletes de bronze. Algumas vezes veste-se de azul-turqueza ou de azul e vermelho. Sua dança é mímica de uma caçada e simula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é “corrido” na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslisando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé. Sua comida preferida é a carne de porco. Gosta também de bode e galo mas não tolera feijão branco.

Na qualidade de de caçador, Oxossi tem sua casa ou assento no quintal do candomblé, quase sempre no meio de arbustos e folhagens. Além de Oxossi, também Exu, Ogun e Ossãe têm a habitação ao ar livre e, como insígnia, um objeto de ferro forjado. As quatro divindades estão intimamente interligadas.

Oxossi, em sua atividade venatória, penetra na mata e é Exu quem o ajuda e orienta; é Exu quem lhe abre os caminhos. Esses caminhos, porém, são dificultados pela galharia enredada, espinhos, cipós, imprevistos. Aí ocorre Ogun, de quem Oxossi seria filho ou irmão caçula. E Ogun, com sua espada, limpa os caminhos para a penetração do caçador divino. Uma vez dentro da mata, Oxossi está nos domínios de Ossãe, o que reina sobre os vegetais. E Ossãe ensina-o a conhecer as ervas que curam os homens e os animais, bem como as plantas sagradas, que entram na liturgia dos orixás.

Está estreitamente ligado a OGUM, de quem recebeu suas armas de caçador. Conta a lenda que OSSÃE apaixonou-se pela beleza de OXOSSI e prendeu-o na floresta. OGUM consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele está associado ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes.

Nos mitos falam que Oxossi é filho de APAOKA (jaqueira). Que ele foi o caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. E há um mito que conta que OXOSSI encontrou IANSÃ na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por OXUM. Oxossi vivendo na floresta onde moram os espíritos, está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição; é um caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e a pesca, e protege contra o ataque das feras. Seu ILÁ (canto), conforme sua qualidade, parece o cantar de um pássaro ou o berro de um animal. É um solitário solteirão, depois que foi abandonado por IANSÃ e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois elas são nefastas à caça.

OXOSSI NA UMBANDA

Como ocorre com os encantados dos candomblés-de-caboclo, na umbanda Oxossi multiplica-se numa infinidade de personificações do índio.

Oxossi é o dono de uma das “sete linhas” de santos umbandistas, desdobrada nas legiões de Urubatã, Araribóia, Caboclo 7 Encruzilhadas, Peles Vermelhas (Águia Branca), Tamoios (Grajaúna), Cabocla Jurema e Guaranis (Araúna).

Santo de grande popularidade, personificado na figura do Caboclo, isto é, do índio, Oxossi por vezes se apresenta ostentando um cocar e portando um arco e uma flecha. Sua cor é o verde. Sacrificam-se a Oxossi frangos ou galos carijós. Suas comidas de milho, amendoim, coco ralado e mel. Bebe vinho tinto.

As “obrigações” de Oxossi são feitas na mata, de preferência sob mangueira ou outra árvore frondosa. Acendem-se velas verdes e deixa-se, além das comidas do santo, vinho tinto com fitas verdes no gargalo da garrafa. Gosta de milho verde em espiga ou seco a granel, átgua de coco, eucalipto, girassol, latão, sândalo, calcite. É representado pelos seus falangeiros, caboclos bugres e de penas. Sua saudação é: Okê bamboclima!

No Rio de Janeiro, Oxossi é São Sebastião, o padroeiro da cidade, com festa celebrada dia 20 de janeiro. Nesse dia, além de baterem nos terreiros, são levadas oferendas e realizadas cerimônias nas matas. Nas pequenas florestas cariocas, como na Gávea e no Alto da Boa Vista, existem clareiras entre as árvores, feitas especialmente para as “macumbas”. Para o dia 20 de janeiro são cuidadosamente arridas e, em alguns casos, enfeitadas com folhagens, bambus e bandeirinhas coloridas de papel de seda. Logo virão os filhos e as filhas-de-santo, com seus trajes brancos rituais. Ressoarão os atabaques e serão entoados os pontos, isto é, os cânticos de evocação e louvor. A cerimônia será realizada com o mesmo ritual de sempre. Do terreiro urbano desloca-se a festa de Oxossi para o seu reino, no recesso da mata.

Senhor Oxossi é o mediador Divino que reflete o Princípio da Lei de Causa e do Efeito. Tem a regência do Planeta Vênus. É o Senhor Primaz da Vibração Original Telúrica (elemento Terra), nesta qualidade influenciando o Signo de Touro.